• Maria da Hora

A presença das mulheres no mercado cervejeiro

Começo essa matéria com as seguintes perguntas: Quantas mulheres você conhece que trabalham com cerveja? Qual seu pensamento a respeito? E o que você (homem ou mulher) faz para apoiá-las?


As mulheres estão ganhando força cada dia mais no mercado cervejeiro, seja na produção, consultoria, vendas, qualidade, manutenção, logística, financeiro, adega, marketing, sommelieria, juradas em concursos nacionais e internacionais, empreendendo, lecionando e também na liderança em muitas cervejarias, ou seja, direta ou indiretamente, as mulheres estão ganhando força nesse meio.


Apesar da grande parte do mercado cervejeiro brasileiro ser constituído por homens, as mulheres vêm conquistando espaço no setor, mas ainda há preconceitos e paradigmas que precisam ser rompidos, infelizmente!


Mulheres e cervejas artesanais têm tudo a ver, uma vez que essa história começou lá atrás, nos tempos dos sumérios e egípcios, porque eles associavam a bebida às mulheres e claro, a produção por muitos anos fez parte das “tarefas domésticas” desempenhadas pelas mulheres.


A deusa mais popular é Ninkasi, mas os sumérios também tinham a deusa Kubaba, que foi a única mulher na lista dos reis sumérios, e chegou ao poder não por nascimento, mas por seu trabalho como cervejeira. Além da Ninkasi e Kubaba, quem também fez história foi a Monja alemã Hildegarda de Bingen que, rompeu barreiras de preconceitos contra as mulheres que existiam em seu tempo. Nos dias atuais, mais da metade das famílias brasileiras são comandadas por mulheres, ou seja, nós temos movimentado a economia e por que não fazer o mesmo com o mercado cervejeiro?


No Brasil não temos deusas nem monjas cervejeiras, mas temos mulheres incríveis que impulsionam diariamente o universo cervejeiro como por exemplo: Cilene Saorin, Kátia Jorge, Amanda Reitenbach, Carolina Oda, Bia Amorim, Beatriz Ruiz, Priscilla Colares, Kathia Zanatta, Fernanda Meybom, Sara Araújo, Fernada Ueno, Julia Reis, Luiz Tolosa, Jéssica Lopes entre tantas outras espalhadas pelo país e também contamos com mulheres na liderança de cervejarias, alguns exemplos são: Japas Cervejaria, de São Paulo, Sapatista, no Rio Grande do Sul e a Noi, cervejaria de Niterói, que desde 2011 colocou três mulheres da família para comandar a gestão da empresa, que é familiar. Ambas buscam resgatar o papel da mulher na história da cerveja.



Preconceitos cervejeiros


O machismo praticado diariamente e as estruturas de uma sociedade patriarcal afetam diretamente o trabalho e as posições de mulheres no mercado cervejeiros, por isso não só os homens como algumas mulheres podem (e devem) contribuir para mudar esse cenário. Há diversas contribuições, principalmente dos homens para que possam melhorar essa conduta no dia a dia e uma delas é PARAR de enfatizar que, cerveja leve, refrescante, com amargor moderado e baixo teor alcoólico é cerveja de MULHERZINHA, não existe cerveja de homem ou de mulher, existe a cerveja, e cada um escolhe o que quer beber.


Os homens têm a possibilidade de contribuir oferecendo mais oportunidades profissionais para as mulheres no mercado cervejeiro e isso pode ser feito tanto nas áreas de produção, quanto em posições de chefia dentro das empresas. Convidar mais profissionais mulheres para participar e falar em eventos, concursos, festivais e conferências também contribui para aumentar a visibilidade e inspirar outras mulheres a trabalhar com cerveja, isso democratização.


Deixo minha dica para você que é mulher e quer trabalhar com cerveja, se alie a outras mulheres que estão fazendo isso, se fortaleça com isso e vocês, homens sejam simpatizantes e apoiadores das mulheres, seja no mercado cervejeiro ou não! Apoiem uns aos outros.



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