Casal que fabricava cerveja artesanal em casa pretende lançar marca ao mercado

Já passou o tempo em que só ouvíamos falar das grandes marcas de cervejas, as industrializadas. Hoje, as cervejas artesanais tomaram conta dos supermercados, conveniências, restaurantes e, principalmente, dos bares. Com tipos de cerveja novos e exclusivos, as pequenas empresas vêm conquistando o mercado de bebidas e o coração de quem gosta de desafiar o paladar e apreciar novos sabores e texturas. Inclusive, é por isso que cada vez mais nos acostumamos com diferentes tipos e termos de cerveja, como Lager, Ale, Lambic, entre outros.



Nesse contexto de pandemia, principalmente, o tempo que as pessoas passam na cozinha aumentou consideravelmente. Mas não, simplesmente, para fazerem suas refeições, mas também para produzirem sua própria cerveja artesanal. Pensando nisso, conversamos com o Pedro Corezola Vieira, jovem que começou a fabricar a própria cerveja com a namorada para consumo próprio, mas que foi, cada vez mais, tomando proporções maiores que decidiram lançar a marca no mercado.


Afinal, o que é cerveja artesanal?

Esse é um termo meio vago, já que a maioria das cervejarias artesanais busca uma espécie de industrialização, até para garantir qualidade. Mas, eu defino uma cerveja como artesanal quando consigo ver história nela. Quando o cervejeiro cria a sua receita, ele coloca nela suas experiências vivenciadas com a cerveja. Dessa forma, tenta fabricar a receita a partir do que imagina dela. Isso é bem presente em cervejarias menores e nas caseiras, nas quais o cervejeiro não tem a necessidade de reproduzir a mesma receita sempre igual.


Qual a diferença entre as cervejas industriais?

Acho que a diferença entre elas é justamente essa relação do cervejeiro com a história da bebida. Na cerveja caseira ou artesanal, essa história é muito mais próxima e conectada. Pode até ser uma cervejaria maiorzinha, como temos diversos exemplos aqui em Porto Alegre, mas ela mantém um contato com o cervejeiro diferente das industriais, onde as receitas nunca mudam, independente do cervejeiro, tem que sair sempre a mesma cerveja.


De onde surgiu a ideia de vocês?

A gente não lembra bem quem teve a primeira ideia ou motivação de produzir cerveja, mas tínhamos gosto pela coisa e fizemos um curso básico. Depois disso, logo fizemos nossa primeira cerveja, no final de semana em que eu e a Fê - minha namorada - fazíamos aniversário de namoro! Na época, meu pai também fez o cursinho básico e começou fazendo cerveja conosco. A produção era feita na lavanderia da casa dos meus pais, com um kit de produção caseiro.


Quando notaram que poderia ser um negócio?

No momento em que muitos amigos e conhecidos souberam da nossa produção e começaram a nos pedir para provar e para comprar! No início, fazíamos 20 litros, o que dava 15 ou 10 litros finais, aí engarrafávamos e não sabíamos como cobrar de quem queria. Até que um amigo do ramo cervejeiro nos deu a ideia de abrir uma empresa. Ele alertou que era um mercado difícil e competitivo, mas que valia a pena. Começamos, então, vendendo aos amigos e família. Inclusive, o nome Casa 32 é o número da casa dos meus pais no condomínio!


Quais os passos essenciais para transformar a cerveja num negócio?

Ainda consideramos estar nos primeiros passos, na verdade! A pandemia nos fez dar uma segurada em relação a levar a cerveja ao mercado, mas acho que tanto pra nós, quanto pra qualquer cervejaria pequena, os amigos e seu apoio é muito importante.


Durante a pandemia notaram um aumento da procura por esse tipo de cerveja?

Para nós, é difícil falar sobre antes da pandemia, já que ainda estamos no processo de sair de uma cervejaria caseira. Então, não temos como dizer sobre a mudança na procura de fato. O que deu pra notar é que o pessoal aderiu a essa vibe de pegue e leve ou de telentrega de cerveja! Nossos amigos, por exemplo, se organizaram bem mais para pedir cerveja com antecedência.


Como é o processo de produção da cerveja?

O processo é bem complexo e cheio de detalhes e momentos de atenção. Mas em suma, desde a parte da moagem dos grãos até o final é responsabilidade das cervejarias. No caso, antes disso, ainda tem a parte de maltação, que ocorre nas maltarias normalmente. Então, começamos na moagem. Depois dos grãos serem moídos, ocorre a mosturação, onde o malte é cozido, misturando à água aquecida em temperatura controlada. Nesse momento, o malte é hidratado e as enzimas ativadas. Logo, vem a clarificação, importante para tornar a cerveja mais límpida e com menos impurezas. Daí a fervura, onde ocorre a caramelização dos açúcares, a esterilização do mosto e a adição dos lúpulos. Depois o resfriamento, que ocorre o mais rápido possível, para diminuir as possibilidades de contaminação. Quase por fim, vem a fermentação, em temperatura controlada. Se dividem em ale, de alta fermentação, e lager, baixa. Por fim, é hora da maturação, ou seja, armazenar a cerveja em baixas temperaturas, para que a cerveja atinja o seu equilíbrio. Aí a cerveja está pronta para brindar e apreciar!


Quais os planos da empresa para o futuro?

Temos hoje um planejamento em etapas, diferente do que pensávamos antes da pandemia. Nossa ideia antes era abrir a cervejaria junto a um bar, e já ir comandando mais ou menos tudo. Hoje, estamos mais cautelosos e acabamos mudando um pouquinho de planos: queremos sair de uma cervejaria caseira terceirizando a produção com alguma cervejaria parceira, para só depois termos o nosso espaço de produção próprio. De modo que a ideia inicial de termos um bar em cervejaria segue, mas primeiro pretendemos abrir o bar da cervejaria, justamente para entendermos melhor sobre o capital de investimento que demanda uma operação de uma cervejaria. Explico: existe um conceito chamado cervejaria cigana, na qual, essa não tem equipamentos de produção próprio, mas os aluga. Dessa forma, pretendemos de início ter um ponto de venda - já que é um mercado competitivo, e acreditamos que a melhor forma de vender a cerveja seja num bar-, mas sem ponto de produção. Outra novidade da empresa é uma amiga, Thais Gomes, que se juntou como sócia para fortalecer a marca daqui para frente.

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