Como o varejo de bebidas pode se reinventar

A indústria do varejo alimentar é considerada como a última fronteira do e-commerce no Brasil, isso demonstra nossa resistência em aderir às opções digitais na compra de alimentos, bebidas e itens de higiene ou limpeza. Além da experiência social e da sensação de maior controle da própria jornada de compras, alguns preconceitos em nosso imaginário solidificam ainda mais a barreira contra o varejo alimentar digital: a entrega vai sair mais cara? Será que vão selecionar produtos de qualidade?


A digitalização da jornada de itens de supermercado surgia como tendência, onde vários grupos de supermercados e pequenos varejos criavam aplicativos próprios com oferta de itens para compra na plataforma. Ainda que restrita a uma parcela de compradores — e praticada apenas em algumas ocasiões de compra. A dúvida que fica é se o contexto de pandemia será capaz de mudar comportamentos, massificando a digitalização das compras de supermercado.

Com relação a preocupação com a segurança, somente 19% dos consumidores fizeram compras de itens de supermercado online. Apesar de sabermos que existem alternativas online, as compras presenciais se mantiveram durante a pandemia, já que, sendo itens essenciais, queremos ter o controle de comprar e levar na hora.

Aqueles que cruzaram a fronteira digital reportam uma experiência bastante positiva. Na ala das críticas: 36% dos consumidores conectados reclamam do tempo de espera. Mesmo com as dificuldades que os varejistas encontraram no início do isolamento com a alta da demanda por pedidos online, há um bom indicativo: mais da metade dos compradores diz querer continuar fazendo compra de supermercado online mesmo no pós-pandemia.

Quando olhamos mais a fundo o comportamento das compras entre os e-shoppers de supermercados, temos algumas pistas. Mesmo entre os compradores digitalizados, o principal canal de compras continuou sendo as lojas físicas.


Seja online ou offline, as pessoas querem preço, produto, prontidão e proteção. E, para entregar essa proposta de valor, os varejistas devem abandonar a lógica do on versus off e pensar em como oferecer o melhor dos dois mundos para o consumidor: seja importando o cuidado e toque humano da experiência física para o digital, seja aplicando a segurança e a conveniência do digital no mundo físico.


Para entender como o varejo pode ultrapassar a fronteira do online e também se reinventar diante de uma recessão que virá, Naira Sato, diretora de pesquisa na Mintel, apresentou ao Google Academy resultados de pesquisas quantitativas e tendências que estão surgindo nos últimos meses.


Diante da recessão, comportamentos que priorizam uma maior economia impulsionam hábitos como o de cozinhar em casa para 55% das pessoas. Além disso, 31% das pessoas afirmam que estão cozinhando mais do zero, ou seja, sem utilizar ingredientes pré-cozidos. Isso se reflete em oportunidades para os varejistas ofertarem embalagens maiores e mais econômicas.


Os novos hábitos também implicam uma busca por uma alimentação mais saudável. Mas é interessante notar que, na pandemia, o brasileiro, ao mesmo tempo que se preocupa com sua saúde, também consome produtos indulgentes para lidar com a ansiedade. Afinal, para 67% dos brasileiros, comer equilibrado é comer de tudo. Uma oportunidade para os varejistas trabalharem sortimento e marcas próprias para tornar o consumo tanto de produtos saudáveis quanto de indulgentes acessível para os brasileiros que estão mais desafiados economicamente.

A venda de bebidas frescas, como o caso das cervejas não pasteurizadas e por consequência refrigeradas, podem passar desconfiança ao consumidor, que pode ficar com a dúvida sobre a questão da refrigeração da bebida, perguntando-se sobre a temperatura em que aquela bebida irá chegar até ele, afinal, no Brasil, existe a barreira em comprar bebidas que já estiveram geladas em algum momento e retornaram a sua temperatura ambiente. Para contornar questões como essa, o PDV (ponto de vendas) deve passar a segurança para o seu cliente, sinalizando como será feita a entrega, seja em embalagem térmica ou comum, também poderá oferecer a informação de temperatura que a bebida se encontra no momento da compra e qual seria o tempo estimado para entrega após sair do PDV. Informações como essas aumentam a credibilidade e confiança do local que está vendendo o produto, dando maior conforto e sensação de controle da jornada de compras para o cliente.



Fontes

Google Survey, Lightspeed Mintel; Tracking Global COVID-19 e Relatório Mintel Alimentação Saudável - Brasil.


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