Portugueses mudam formato de festival de cerveja. Entenda o caso e inspire-se

Na impossibilidade de realizar o Artbeerfest em Caminha, devido à pandemia, a organização reinventou o festival de cerveja artesanal, que este ano é virtual.


O primeiro Artbeerfest realizou-se há sete anos em Caminha, Portugal. Era 2013 e, nas palavras do organizador Octávio Costa, “a cerveja artesanal em Portugal não era nada”. Mas, nestes sete anos, tudo mudou. O mercado nacional de cerveja artesanal não parou de crescer, e de que maneira; o Artbeerfest cresceu com ele e tornou-se uma referência. A oitava edição esteve marcada para Julho, porém teve de ser cancelada. Das suas cinzas, vai nascer um e-Artbeerfest nos dias 31 de Julho e 1 de Agosto.


A organização refere-se ao e-Artbeerfest como um dos primeiros festivais digitais de cerveja artesanal do mundo. Ou pelo menos um dos primeiros concebidos por uma equipe com provas dadas offline. À semelhança do que acontece noutros eventos do gênero, os interessados pagam um valor fixo e depois recebem em casa uma caixa de cervejas de vários produtores, selecionadas por quem entende do assunto, juntamente com um link que dá acesso a algumas atividades e conteúdos online.


“Nos dias do festival, quem tiver comprado o pack vai poder juntar-se online com cervejeiros que vão estar a conversar pelo Zoom. Além disso, a pessoa pode estar a beber a sua cerveja e a ouvir uma playlist criada pelos cervejeiros para acompanhar a degustação”, ilustra Octávio. “E elaboramos um guia, juntamente com a chef Margarida Bessa Rego, que é talvez a pessoa que mais sabe de cerveja no mundo da gastronomia em Portugal, para que as pessoas saibam com que pratos devem acompanhar cada cerveja que enviarmos.”


“Também vai haver um set ao vivo do DJ do festival, o Rodrigo da Matta, a partir de Berlim”, continua o organizador. “E outro de um DJ que também tem estado sempre conosco, que é o DJ Mosca, do festival de Paredes de Coura.”


Foram ainda filmados pequenos vídeos protagonizados pela chef Margarida Bessa Rego, por alguns cervejeiros e por umas quantas “personagens da vila de Caminha” que os visitantes do Artbeerfest foram conhecendo ao longo dos anos – espera-se que uma destas personagens seja Amândio, chefe do restaurante homônimo, cujas feições o celebrado cervejeiro Mikkel Borg Bjergsø, da Mikkeller, tatuou no corpo e imortalizou no rótulo de uma cerveja. “Quisemos levar um bocadinho de Caminha para casa das pessoas.”


Mas o mais importante, claro, é a cerveja. No site oficial do e-Artbeerfest é possível comprar um pack com 24 garrafas diferentes (e seis copos) por 68€, ou 48 rótulos por 136€. Há bebidas de diversos estilos e proveniências, do Norte ao Sul do país, feitas por cervejeiras maiores e mais conhecidas, mas também de marcas mais pequenas e igualmente recomendáveis. “Há aqui muitos sabores, muitos aromas, cervejas completamente diferentes”, explica Octávio.


O primeiro pack inclui cervejas da 8ª Colina, Barona, Bolina, Burguesa, Chica, Colossus, Dois Corvos, D’Os Diabos, Epicura, Letra, Lupum, Luzia, Madam Lindinha Lucas, Maldita, Mania, Mean Sardine, Musa, Piratas Cervejeiros, Post Scriptum, Rima, Sovina, Vadia, Vandoma e Velhaca. No segundo estão também representadas a Biltre, Cantinho Café, Cervejas do Açor e OPO 74. É uma boa amostra do melhor que Portugal tem para oferecer.


Segundo a organização, as encomendas têm de ser feitas até dia 29 ou 30 de Julho para chegarem a casa das pessoas – ou a um dos bares que estão a colaborar com o e-Artbeerfest e onde podem ser retirados os packs, como o Libeerdade, Beer Station ou ArtesanaLis, em Lisboa – a tempo do festival. No entanto, vão continuar online durante mais alguns dias. Até 8 de Agosto, provavelmente. Precisamente porque a ideia é isto ser mais do que um festival. O objectivo é também apoiar as cervejeiras portuguesas, que em muitos casos estão a ser afetadas pela atual pandemia, e ajudá-las “a escoar o seu produto”.


Mesmo que não volte a haver um e-Artbeerfest, Octávio admite lançar novos packs deste gênero. Talvez até com algumas cervejas estrangeiras. “No futuro este poderá ser um modelo de negócio paralelo aos festivais físicos” diz. “Até porque já tínhamos pensado em fazer um conteúdo paralelo ao Artbeerfest físico, para quem não pudesse vir a Caminha [antes do cancelamento da edição deste ano].” Contudo, o principal objetivo de Octávio e companhia é voltar a organizar festivais de cerveja como antigamente. Com gente de carne e osso reunida em torno das torneiras, a beber e a conversar. A ser feliz.

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