Precisamos conversar sobre a Proibida Mulher


Isso mesmo, nós precisamos conversar sobre o desserviço causado pela Cerveja Proibida e seu novo rótulo!

O ano recém começou e o mercado de cervejas já possui uma nova polêmica, desta vez o foco das críticas é a Cerveja Proibida, da Companhia Brasileira de Bebidas Premium.

A polêmica em torno da marca começou no dia 03/01, quando a cervejaria lançou seus novos rótulos. Apenas um deles chamou a atenção do público que não perdoou e tratou logo de apontar o erro da cervejaria. O anúncio feito no Facebook já possui mais de 11 mil reações com a novidade, porém, mais de 9 mil eram do emoji “grr” que demonstram a raiva do internauta com o produto criado “especialmente para mulheres”.

Muitos sites e portais de notícias deram foco para o problema, nenhum deles conseguiu um posicionamento da assessoria de imprensa da marca. Esperei até a data de hoje para que alguma nota ou explicação pudesse surgir, ou então, o anúncio de cancelamento do produto. Não houve nenhum posicionamento da cervejaria que aparentemente não ligou para a opinião daqueles que inclusive disseram ser clientes e continuou com sua campanha.


Precisamos conversar sobre a Proibida Mulher



Por que esse rótulo tornou-se um desserviço?


Certamente você já viu algumas cervejas como Skol, Brahma, Kaiser, Antarctica, Itaipava e tantas outras se definindo como cervejas “Tipo Pilsen” em seus rótulos, também deve ter visto nas propagandas destas mesmas cervejarias que cerveja boa, é cerveja trincando de gelada. Se você tem um pouco mais de idade, já deve ter ouvido que “cerveja preta” faz bem para gestantes, indiferente de ser um consumidor de cervejas ou não, alguma destas mentiras você já ouviu, certo? Pois é, sabemos que qualquer cerveja mainstream não chega nem perto de uma Pilsen, todas são American Lagers, sendo elas Premium ou Standard. Cerveja boa não depende apenas da temperatura de serviço para ter qualidade, afinal não é só isso que faz uma cerveja. Álcool na gestação? Nem precisamos debater sobre algo que está tão óbvio que é errado,

Um outro mito que se criou ao longo dos anos foi que mulher gosta de bebidas docinhas, inclusive várias pesquisas foram feitas com mulheres para saber que tipo de bebidas elas gostavam, porém, pesquisas assim são inválidas. Antes de descer nos comentários e criticar, entenda o porquê: tente imaginar seu primeiro contato com uma xícara de café, sua mãe preparou com ou sem açúcar? Se você não lembra, pense em como a maioria das crianças da sua família tomam café. Sua primeira limonada, tinha açúcar? Quando você ficava resfriado, sua mãe lhe dava chá doce ou sem açúcar? Suas vitaminas, refrigerantes, achocolatados e iogurtes também continham açúcar. Eu, você, seu vizinho, seus pais e todos aprenderam desde o berço que doce é bom e amargo é ruim, assim como o “azedo e o ácido também são ruins”. Nós, estamos predispostos geneticamente a optar por sabores adocicados, pois nos remetem a alguma fonte de energia ou que o alimento é seguro para a ingestão, porém, o amargor remete a algo que possa intoxicar, como venenos. Sabores azedos nos indicam que o alimento está estragado e aí por diante.

Indiferente do gênero, a opção de gostar de algum alimento ou bebida está relacionado a cultura, hábitos alimentares e experiências individuais. Não há como determinar o que a pessoa próxima irá gostar sem conhecê-la.

Como 86% dos consumidores de cerveja costumam ler o rótulo antes da primeira compra de uma cerveja desconhecida, a informação contida no produto pode passar “uma verdade absoluta” para o consumidor leigo, que ao ver um produto caracterizado como “de mulher” poderá entender que cerveja para mulher tem que ser fraca, doce e delicada. Você pode até saber que não há padrões para gostos pessoais, mas será que todos sabem? Parece que o pessoal que elaborou essa campanha da Proibida não sabia e terá de aprender da pior forma, com críticas…

Para você refletir um pouco mais sobre como seria uma cerveja para mulher:



#CBBP #Cerveja #ProibidaMulher #ProibidaPuroMalte

©2020 por Cerveja em Foco. Desde 2014